
Dando seqüência à minha busca sobre o que significa Jornalismo Solidário, me deparei com a questão: como as notícias viram notícias?
Os critérios de noticiabilidade que aprendemos na faculdade são, definitivamente, diferentes do que ocorrem no dia-a-dia de uma redação. Reconheço a dificuldade de se enumerar critérios de noticiabilidade como em uma receita de bolo, mas, é possível seguir regras que são importantes na decisão do que será notícia.
A principal delas é a ética como norteadora da profissão de jornalista. Porém, com a pressão do tempo (creio que as redações sejam como pastelarias) e a concorrência (de outros veículos e de outros profissionais) fica difícil pesquisar e apurar o tema com a profundidade necessária. E, em resumo: vira notícia o que os editores acham que deve ser notícia.
Pesquisando sobre o assunto, me deparei com uma pérola do nosso querido e diário Willian Bonner, editor chefe e apresentador do Jornal Nacional, da Rede Globo. Segundo o relato, Bonner realiza diariamente uma reunião com os editores de outros estados em que é definida a pauta do dia. Até então, tudo normal. O que impressiona é como ele se refere aos telespectadores do jornal. Ele define o brasileiro médio, maioria da audiência do jornal como Homer Simpson.
E é com essa idéia de telespectador que ele determina o que será notícia no dia ou o que será gongado do jornal.
Então, posso crer que, para a Rede Globo, os critérios de noticiabilidade mudam de acordo com a audiência. Nenhuma novidade.
A resposta de Bonner ?? Ele disse que não pensa no Homer Simpson apenas como um preguiçoso comedor de rosquinhas, mas como um chefe de família trabalhador (!!) .
Questão de opinião.
Enquanto isso, a maioria do povo brasileiro engole o que é noticiado pelo JN como rosquinhas, e notícias importantes deixam de ser noticiadas, pelo menos pela mídia grande.
Salve a mídia independente que não subestima a inteligência do brasileiro, noticiando o que é notícia. Mas como são os critérios de noticiabilidade da mídia independente?? Questão para um próximo post.
Confira a íntegra do texto e a resposta de Bonner

4 comentários:
Olá Lyana, muito boa essa matéria sobre o metódo de noticiabilidade Homer Simpson. Ao ler fiquei surpresa de ver Wiliam Bonner comparando o povo brasileiro a Homer Simpson, mas aliviada por saber que ele só quer nos dizer que como ele as notícias são passadas a pais de família. Não sei não!!Homer Simpson para quem assiste o desenho é incapaz de parar para assistir um jornal e entender o que é notícia. Aí surge essa minha dúvida... será mesmo que é isso que o nosso querido Bonner pensa dos telespectadores brasileiros?
Um abraço.
Tiffane Calçado
mto bom o texto...
Abraço!
Augusto
Cara Lyana, me deparei com seu blog “por acaso” e achei interessante sua colocação sobre o que é noticia. Porém acredito que a questão e bem mais profunda do que simplesmente dizer que “vira notícia o que os editores acham que deve ser notícia”. Em minha opinião o que se torna noticia varia de acordo com um jogo político que envolve muitos agentes e diferentes interesses. A rede globo é uma empresa particular que obviamente tem seus próprios interesses econômicos e políticos, e esses interesses se refletem, mesmo que nem sempre explicitamente, nas noticias, seja no que elas dizem ou no que elas omitem. E para mim a idéia de um telespectador Homer Simpson diz respeito a um sujeito de pouco censo crítico que engole tudo o que vê acreditando ser a verdade. E essa idéia me parece bem coerente com vários telespectadores brasileiros.
Abraço!
Acho isso um absurdo, pois Homer Simpson é completamente ignorante, tanto que a própria rede Globo é o único canal aberto a exibir tal programa. Isso mostra mais e mais que a própria emissora não tem respeito com seus telespectadores, mostrando mais uma vez que a rede Globo é uma empresa que não respeita tais telespectadores, mostrando sim o seu "Q" de qualidade que para mim esse tal "Q" avalia outras coisas e não o mostrado na sua propaganda. mais uma vez digo que isso é um absurdo.
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