Mas que ligação uma coisa tem com a outra? Explico. A adaptação é a seguinte: Um assunto/notícia veicula mais (na mídia) porque é de interesse do público ou é de interesse do público porque veicula mais (na mídia)? Eis a questão.
O que ultimamente me fez pensar nesse comportamento midiático é o Caso Isabella, assassinato brutal de uma menina de cinco anos em condições sombrias, onde os principais acusados são o pai e a madrasta da vítima. A morte de Isabella completou um mês essa semana, porém, continua presente, até por que os assassinos não foram “descobertos”. Mas o que impressiona é que a mídia continua dando um grande espaço para o assunto, e as pessoas continuam comentando com grande arrebatamento, mesmo após um mês.
Segundo uma teoria chamada “Agenda Setting”, estudada em comunicação, as pessoas agendam o tema de suas conversas em função do que é veiculado na mídia. Ou seja, de acordo com essa hipótese, a mídia, pela escolha, acomodação e incidência de suas notícias determina temas sobre os quais o público falará e discutirá. E é através da suíte, método usado no jornalismo em que as informações já apresentadas sobre um assunto são sintetizadas de forma a dar um resumo antes da apresentação de novos fatos, que o acontecimento continua a ser veiculado, dia após dia, até que se tenha um desfecho, no caso da morte de Isabella, uma confissão dos supostos acusados.
Mas essa teoria é contestada por estudiosos. E o assunto Isabella dá substâncias, como a falta de certeza da culpa dos acusados e as condições que ocasionaram a morte da menina, para que o assunto seja de interesse tanto dos meios de comunicação quanto da audiência (população).
Porém, se não é a agenda da mídia que nos faz discutir o caso, o que será? De acordo com especialistas, o interesse da população no caso, é a identificação com ele, e até mesmo com a violência causada pelo casal. Confira as opiniões de um psicanalista e um psiquiatra, feitas ao site do Fantástico.
"São pessoas de classe média, que vivem em um prédio mais ou menos parecido com o prédio da classe média brasileira. Um pai, uma madrasta, os filhos, a menina Isabella estava visitando o pai”.Contardo Calligaris - Psicanalista.
"A gente tem, de vez em quando, todos nós, o tempo todo, fantasias agressivas. De certo modo, então, ter alguém, um caso que configura o horror máximo, nos ajuda a colocar neles, personalizar neles os nossos próprios demônios, a nossa agressividade incontida que existe e que pode, a qualquer momento, irromper”. Benílton Bezerra - Psiquiatra
As duas vertentes, a dos especialistas e a da Agenda Setting, para mim, tem fundamento. Então, fica o impasse. E o mistério do interesse das pessoas em determinados assuntos, bem como a grande veiculação do mesmos, aumentando as vendas e a audiência, está como o mistério de Tostines, sem solução.
Para quem ficou com saudades da “infalível” campanha, é só dar uma olhadinha no vídeo abaixo.

Um comentário:
Menina é isso aí, conteúdo é tudo em um blog!
Chega de ficar enrolando os leitores!!!
Achei interessante meus tuas postagens!
Abraço(*_*).
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